Monday, December 22, 2008

Ne me quittes pas.

O verbo "quitter" em francês poderia ser traduzido como "abandonar" ou "deixar". E, poara quem não sabe, em francês existem duas partículas de negação:

Ne me quitte pas

Então, "eu não falo francês" seria algo como "eu não falo francês não" dizendo o não duas vezes. O primeiro não é o "ne", o segundo "não" seria o "pas":

Je ne parle pas français

(eu não falo [verbo "parler" - falar] francês)

Mas... o verbo quitter é especialmente forte. Mais forte do que o "abandoner" (abandonar), eu acredito (não pesquisei).

A música começa com a frase

Ne me quitte pas (Não me abandone)
Il faut (é necessário) oblier (esquecer)

Depois eu preciso checar essa tradução. Meu francês está bem enferrujado... rs.

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Essa música, Ne me quitte pas, é a minha música agora para deixar São Paulo.

http://www.youtube.com/watch?v=zfqgFoIdeUE&feature=related

Esse, para quem não entende francês está com legendas em... holandês!

Mas há também essa versão com legendas em Inglês para quem preferir:

http://www.youtube.com/watch?v=shjCk6Y8m6c&feature=related

Dizem que esse cantor belga, Jacques Brel, é bastante famoso na França.

Há também a versão maravilhosa da cantora brasileira Maysa, a quem conheci graças a minha amiga Júlia (com legendas em Português):


http://www.youtube.com/watch?v=8gtOXoXeWQc


Nesse outro vídeo achei interessante o que ela fala a respeito do "científico", pondo-o em oposição à criação e depois (e isso é genial) ela cai na dúvida:

Não, não... Não, não faça isso.
O científico é uma coisa programada
Criação é uma coisa que nasce
Nasce com a gente, com as nossas dores, as nossas neuroses, os nossos sorrisos...
Não, não, não...
Criação é uma coisa muito importante.
O científico também é, mas o científico é científico, né?
Ou não?



http://www.youtube.com/watch?v=lIrEewDVEhQ


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Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Il faut (é necessário) oublier (esquecer)
Tout peut (tudo pode) s'oublier (se esquecer)
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps (esquecer o tempo)
Des malentendus (os mal entendidos)
Et le temps perdu (e o tempo perdido)
À savoir comment
Oublier ces heures (esquecer essas horas)
Qui tuaient parfois
À coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas (x4)

Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas (onde não se chora)
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort (após a minha morte)
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas (x4)

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embrasser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas (x4)

On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan (o antigo vulcão)
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quite pas (x4)

Ne me quite pas
Je ne veux plus pleurer
Je ne veux plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas (x4)

Friday, December 19, 2008

Mercuriações

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Outro dia eu estava pensando nas palavras com final "ulho". São bem interessantes e nos remetem a uma teia fina como um Haikai. Bem, pelo menos eu... rs.

Barulho
Mergulho
Entulho
Bagulho
Fagulho

É interessante pensar na idéia comum que permeia essas palavras.

Ah! Lembrei de mais uma: "embrulho".

Aliás, e mais outra me ocorre ainda... essa talvez a mais intrigante de todas: "orgulho".
E aí? Acha que tem mesmo relação?
Pois é. Eu adoro pensar nas palavras. Sou bastante mercurial.

Há ainda o mês de "julho", mas esse eu acho que não tem relação não. Se tiver deve ser bem abstrata. Eu imagino que não deva haver muito mais do que a simples derivação sonora de "Júlio" para "Julho", sei lá...

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Brasília-pe Sika (Chegada a Brasília - going back to Brasília)

Já está definido. Estou arrumando minhas coisas e estou voltando para Brasília. Mais uma vez, estou levando bastante livro. Inclusive O Nome da Rosa, a biografia de Einstein, Imaginação Sociológica (de Wright Mills), O Tratado da Emenda do Intelecto (de Espinosa), a Gramática Latina (de Napoleão), um Método de Sânscrito, o Teatro em Tupi de José de Anchieta, livros de ciências, livros de Astrologia (inclusive um de sinastria bastante interessante).

Há ainda um livro de "Hindu Astrology".

E acho que só... Nada demais. Talvez eu leve alguma panela comigo...rs.

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Xe pukumonhanga

No céu, há uma conjunção Sol-Marte-Plutão. Bastante interessante. Espero que me dê forças e não conflitos, nem tensões. Preferiria tomar essa energia para, como sugeriu minha amiga Andrea, "engrandecer" (xe pukumonhanga)!

Wednesday, December 17, 2008

Mens in Corpore... Leituras da Mente.

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Lembro de uma palestra que o físico brasileiro Moysés Nunssenzveig (mais conhecido pelos seus livros didáticos publicados em letra de mão...!) proferiu no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. Lotado. Se não me falha a memória ele falou também da extraordinária complexidade da Física das nuvens, mas enfim... não é meu ponto agora.

Estou certo do seguinte: ele havia opinado nessa palestra que uma das grandes áreas de pesquisa da Física do século XXI seria a investigação do cérebro. Desde criança, sempre me fascinou a possibilidade de se construir uma máquina capaz de ler as imagens dos sonhos e da imaginação.

Acabei de ler uma matéria sobre isso na Internet. É a primeira vez que leio a respeito de cientistas que obtiveram resultados nesse sentido:


Os cientistas esperam que a pesquisa, publicada na revista científica Neuron, dos Estados Unidos, venha a ajudar pessoas com problemas de fala ou médicos que estão estudando problemas mentais, ainda que existam questões de privacidade a considerar caso a situação chegue ao estágio em que alguém poderia ler os sonhos de uma pessoa adormecida.


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Fonte da Notícia:

http://br.tecnologia.yahoo.com/article/17122008/5/noticias-tecnologia-voce-olhando-cientistas-japoneses.html


Diretor de Pesquisa do Projeto:
Yukiyasu Kamitani, do Advanced Telecommunications Research Institute International, um instituto privado sediado em Kyoto, Japão

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De acordo com a matéria, os cientistas conseguem, através de varredura, e a partir das correntes elétricas do cérebro, inferir imagens de um objeto que um sujeito (ou talvez fosse melhor dizer "indivíduo"?) observa.

Achei esse resultado espetacular. Sempre me fascinou esses problemas de percepção em Física. Fernando Pessoa certa vez escreveu:

"Pois o que é tudo?
Senão o que pensamos de tudo?"

De fato, a Física é incapaz de distinguir entre o verde ou o vermelho, exceto enquanto faixas estabelecidas de freqüências, sem nenhuma fronteira especial entre elas, a não ser a própria convenção da percepção do próprio ser humano. Ou seja: do ponto de vista físico, a cor em si, não existe.

Os índios tupis possuíam a mesma palavra para "verde" e para "azul". Será que eles percebiam essas cores de forma diferente de como nós as percebemos? E os esquimós com aquela famosa e tão repetida história das percepções da cor branca?

Sabemos hoje que a luz é uma perturbação do campo eletromagnético no espaço. E que no fim das contas tal perturbação é decodificada em correntes elétricas no cerébro. O que os cientistas da matéria acima conseguiram fazer foi (a meu entender): detectar as oscilações elétricas cerebrais, recodificando-as em impulsos elétricos fora do cérebro para um computador que, naturalmente, poderia reconverte-las em novas ondas eletromagnéticas no espaço (como essas que saem do seu monitor agora, caro leitor), ou seja: novas imagens.

Em outras palavras: aos objetos reais correspondem ondas eletromagnéticas refletidas que são convertidas em impulsos elétricos no cerébro que, de alguma forma, o cérebro faz corresponder a imagens. Ora, se os cientistas japoneses conseguem inferir esses sinais elétricos no cérebro, podem converte-los novamente em perturbações eletromagnéticas para nossos olhos que serão novamente interpretadas como imagens, mas agora na mente de outra pessoa e assim a pessoa vê o que a outra viu e, potencialmente, poderá ver o que a outra pessoa sonha ou pensa.

Mas o que eu acho mais fascinante disso tudo é o seguinte: nada disso, nenhum desses estudos, são capazes de sondar o mistério de como o cérebro transforma o sinal elétrico das imagens de nossas mentes. Em outras palavras, tudo o que os cientistas japoneses dessa matéria fizeram, foi conseguir manipular uma informação elétrica dentro do cérebro, mas não creio que eles tenham ainda tocado no mistério da origem das imagens na mente.

Mens in Corpore...

No campo da Filosofia, acho que Espinosa nos permitiria pensar de forma muito interessante a respeito, devido a sua concepção do Homem como expressão de dois dos infinitos atributos de Deus e de sua famosa proposição 7 da parte II de sua obra máxima, a Ética, acerca da ordem e da conexão das coisas e das idéias.

Aliás, Espinosa trabalhava como fabricante de lentes... O que me parece algo bastante significativo.

Jung também escreveu coisas interessantes a respeito da percepção visual: acerca de uma independência entre órgãos visuais e percepções visuais e de possíveis relações acausais entre ambos. Várias idéias acerca de acausalidades é realmente uma das marcas da obra junguiana.

Nunca li as reflexões de Goethe a esse respeito, nem as de Newton. Já ouvi dizer que Darwin também ficou bastante fascinado pelos olhos humanos, mas não faço idéia acerca de quê ele poderia ter refletido a respeito, exceto de seu deslumbramento diante da possibilidade de um processo evolutivo produzir algo tão maravilhoso.
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Abaixo desenho atribuído a Leonardo da Vinci, acerca de estudo a respeito da anatomia do Olho.
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Monday, December 15, 2008

Cardamomo, Focus, Ninastya, Moon far Away e Chimichurri.

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Hoje eu estou na casa de minha amiga, ao lado da USP. Ela é professora e eu adoro visita-la porque ela sempre tem excelentes assuntos, músicas e ótimos livros. Mais uma vez hoje ouvimos músicas russas, cantadas em russo, a banda chama-se Moon far Away e inclui repertórios folclóricos (folks) da Sibéria, cantos medievais, poemas em russo numa doce e melodiosa voz. Queria pôr aqui o nome da cantora, mas está em sirílico (o alfabeto russo). Claro, não entendo nada de russo, mas mesmo assim é lindo de se ouvir, inclusive os "requiens" (músicas fúnebres).

Ouvimos também a magnífica e interessante banda de rock chamada Focus, da Hollanda (anos 60 e 70). Adorei o baterista, vocalista e o baixista desse grupo. Mas ela me corrigiu: "Todos na banda são bons".

Nossa!!! Adorei quando ela me preparou o Tchai, um tipo de chá indiano, que ela tinha aqui. O normal seria prepara-lo com chá preto e leite. Mas ela teve de me servir sem o chá preto, mas mesmo assim ficou delicioso. O Tchai é um preparado rico em especiarias. Contém canela, cravo, gengibre, anis estrelado e Cardamomo. Esses temperos são torrados, fervidos (chá de especiarias), coados em pano e depois misturados ao chá preto ao leite.

Tentamos encontrar esse chá no livro "Arqueologias Culinárias da Índia" de Fernando de Camargo-Mouro. Apenas encontramos o Haichi Cha ou Haichi Chai (Chá de Cardamomo) na página 23. Mas não tentamos prepara-lo.

Todos que estudaram na escola as Grandes Navegações portuguesas sabe que a Índia é a terra das especiarias. Especialmente a Pimenta do Reino, o cravo...

Ela foi até a cozinha e me trouxe sementes inteiras de Cardamomo para eu conhecer e me mostrou também sua coleção de cascas dessa semente, que ela guardava para o preparo de chás dessas cascas, que possui também funções medicinais: ajuda o intestino, a robustez...

No livro "Guia A-Z de Plantas Condimentos" de Paula Negraes, descobrimos que o Cardamomo é utilizado como condimento para café na Arábia Saudita. Nas mil e uma noites, diz a autora, o Cardamomo é citado como condimento afrodisíaco. Na Índia o cardamomo é chamado de "ellatari" (sementes de "ela", o nome da planta). Na Índia a semente é de uso tradicional em doces.

Aqui eu mordi a semente e fiquei impressionado com a explosão de sensações e de sabores que tive na boca com uma única sementinha. Poderoso o negócio, viu... E pensar que especiarias como essa já chegou a ser comercializado a peso de ouro na Europa...

Mas eu também gostei de conhecer o Chimichurri, tempero argentino.

Depois ouvimos música indiana, ela preparou um bolo, eu fiquei lendo o livro de Joseph Campbell, "O Poder do Mito", que livro magnífico. E ela voltou a me mostrar a banda russa favorita de uma amiga nossa. A banda chama-se Nenasty e a vocalista chama Nenastya.

Saturday, December 13, 2008

Paranapiacaba e GTP - Teatro da Poli.

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Um dos lugares onde eu mais tenho vontade de morar é Paranapiacaba. Distrito de Santo André, lugar turístico, patrimônio histórico, reserva natural.

Depois de ter assistido à peça de minha amiga Maína, ontem eu fui assistir mais uma vez outra peça de teatro do GTP - Grupo de Teatro da Poli. Grupo com 55 anos de história e que contou com Manuel Bandeira na sua fundação.

Claro, o preconceito que me ensinaram a ter contra a Poli me ensinou a não enxergar esse grupo durante toda a minha estadia na USP. Mas agora, felicita-me muito descobrir, através dele, que existe uma tragédia de uma autora de Santo André, entitulada "Paranapiacaba - De onde se vê o mar".

De fato, em Tupi. O verbo "pyak" é o verbo "ver" e "Paranã" é mar. Enquanto que "aba" é um designativo de lugar. O verbo "pyak" conjugado ficaria assim:

ixé apyak (eu vejo)
endé erepyak (tu vês)
a'e opyak (ele vê)

etc.

Sim, em Tupi a flexão do verbo é pela frente. "Eu vejo o mar" seria

Ixé apyak paranã.

Ou na ordem mais usual, em Tupi, com o verbo ao fim da frase:

Ixé paranã apyak (eu o mar vejo)

Outra possibilidade de expressar isso em Tupi, com o objeto incorporado ao verbo, esse recurso não existe em Português:

Ixé aparanãpyak (eu vejo o mar)

Pode-se também, e até mais usual em Tupi, omitir o sujeito "Ixé" (eu):

aparanãpyak (vejo o mar)

Agora, acrescentando o "aba" que significa "lugar" e omitindo o "a" do verbo na primeira pessoa:

paranãpyakaba (de onde se vê o mar).

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De fato, Paranapiacaba é "o lugar de onde se vê o mar" (ao longe... bem longe!)... Tanto que uma das personagens da peça diz "aqui não tem mar!". Linda essa fala.

Paranapiacaba é um lugar também das velhas estações de trem, outro tema também muito explorado na peça e bem retratado nesse video do YouTube:

http://br.youtube.com/watch?v=9UY58spuwz0


Putz... Em todas as minhas postagens agora eu vou colocar vídeos do YouTube? Acho que não. Mas esse vídeo é bonitinho. Montagem com um poema do Manuel Bandeira, que muito me lembra os tempos em que eu morei com o Sinki. Lembro dele recitando o "trenzinho do caipira".

Sinki, além de astrônomo, como já disse, adorava recitar os poemas do Manuel Bandeira. Aliás, já falamos do Bandeira aqui quiando falamos da fundação do GTP.

Depois de ser estudante da Poli, o bandeira adoeceu e teve de fazer tratamento no exterior. Depois, ficou até a velhice esperando a morte.

Paranapiacaba, com sua famosa "neblina inglesa" (a cidade foi construída por ingleses, com participação do Visconde de Mauá) é onde se pode presenciar bastante da mata nativa do Estado de São Paulo:

http://br.youtube.com/watch?v=06tA1fyVDbk&feature=related

Friday, December 12, 2008

Sutilezas.

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Dança Chinesa

Hoje eu estava conversando com minha amiga Andrea pelo mensageiro (saudade de você Andrea!). Trocamos alguns vídeos de dança pelo YouTube. Ainda não mostrei a ela, mas tive a felicidade de reencontrar um vídeo de Dança Chinesa, muito bonito e que está entre as coisas mais belas que já vi:

http://br.youtube.com/watch?v=986KLUFb_fY


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Biografia de Einstein

Já comentei aqui que estou lendo a biografia de Einstein escrita por Abraham Pais. Uma das melhores.



É uma biografia escrita por um cientista, especialista na Teoria Quântica, que procura abarcar aspectos tanto científicos como pessoais de Einstein. Alguns poderiam temer essa biografia devido a eventuais passagens técnicas e até mesmo equações, mas por enquanto minha opinião é a de que a riqueza do livro é justamente essa: um trabalho minucioso e que não omite os aspectos científicos.
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Wednesday, December 10, 2008

Questão Indígena em Roraima - parte 2.

Segundo a declaração de ministros à Folha, é a primeira vez que o Supremo Tribunal Federal julga uma questão de tamanho potencial polêmico, sendo natural que questões e discussões de ordem mais geral venham à tona (referir-se-ia aqui a questões de outras demarcações de reservas indígenas no Brasil e que o julgamento desse caso se tornará paradigma para o julgamento de outros casos semelhantes, essas questões preocupam muito os dirigentes da Fundação Nacional do Índio - FUNAI, os quais são favoráveis à "demarcação em faixa contínua" como decisão do STF).

Em decisão parcial, o STF apresentou julgamento favorável a esta expectativa da FUNAI. Jornalista da Globo falou em "comemoração tímida" da parte indígena, confesso que não entendi o que se quis dizer com isso (do ponto de vista político, especialmente). Os índios disseram temer reação violenta dos empresários (arrozeiros) interessados em explorar suas terras ("deles" do meu ponto de vista). Os empresários (que também detém o poder de prefeituras locais) disseram vão reagir através da justiça.

Eis um trecho da matéria do Globo:

O coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Tuxaua Walter Oliveira, pede que o contigente da Força Nacional permaneça na área. Ele disse que tem receio das consequências da decisão do Supremo [Tribunal Federal].

Publicada em 10/12/2008 às 19h29m por Evandro Éboli.


Quem quiser ler a matéria (curta) original do Globo, o endereço é:

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/12/10/votacao_do_stf_comemorada_de_forma_contida_pelos_indios_de_roraima-586941498.asp

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A Justiça brasileira parece estar vivendo agora uma ótima fase.

São indícios disso, por exemplo, a recente condenação de Dantas e de seu banco Opportunity! Vejam vocês, banqueiro sendo condenado no Brasil... Puta merda!! Isso parece ficção científica (sendo portanto tema desse blog :-). A respeito da condenação de Dantas, o famoso jurista Dalmo Dallari comentou que o julgamento foi sólido e bem embasado e que "Eles tinham tanta certeza da impunidade que deixaram marcas demais".

O banco Opportunity também foi condenado a pagar indenização de R$ 100 mil a Márcia Cunha... ou seja, uma pessoa enfrentou um banco e... venceu!!!

Viva a Justiça Brasileira! Vida longa aos Povos Indígenas!
Vida longa à ciência, sabedoria e à cultura brasileiras!

A respeito da declaração de Dalmo Dallari e Cia...
Tudo isso pode ser lido no Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim:

http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=2266

Aliás, esse sítio do Paulo Henrique Amorim, vem me parecendo um dos melhores da Internet, pela independência de seu pensamento, beleza e visão verdadeiramente crítica do Brasil.

Tuesday, December 09, 2008

Questão Indígena em Roraima.

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Estou com a Folha de S. Paulo de hoje (terça) aqui na minha mão. A matéria de capa, falando das Bolsas e a foto de primeira página falando do povo daquela cultura que, supostamente, não utiliza dinheiro: os povos indígenas, nesse caso, de Roraima.

Aliás, pouca gente sabe, mas em Língua Tupi (que vale esclarecer: não é a língua de Roraima), por exemplo, não existe o verbo "ter" (que acho que vem do "Tenere" do Latim) como na nossa ou o verbo "to have" ou "Avoir" do Inglês e do Francês. Já nas línguas indígenas de Roraima, não, não faço idéia como é. Mas os índios ali estão mobilizadíssimos com a questão da demarcação de terras.

Achei a matéria pouco profunda talvez, mas talvez fosse difícil aprofundar o assunto, sem se posicionar e acho que o editorial da Folha prefere não ter um posicionamento explícito, principalmente nesses casos. Havia subtítulos na matéria como "Polêmica", etc. Acho que seria possível o aprofundamento com levantamento histórico do conflito. É quase impossível entendermos verdadeiramente um conflito político sem termos uma contextualização histórica dele. Mas, pelo o que eu tenho visto, isso não parece ser entendido como jornalismo. Mas também, preciso fazer (alguma) justiça: havia alguma historização, a matéria falava da homologação das demarcações de terras pelo presidente Lula em 2005. Bem, acho que isso era o mínimo. De qualquer forma, fico feliz em ver os indígenas na capa do jornal.

Um prefeito local e arrozeiro diz que “irá receber índios à bala”, uma declaração bastante curiosa a ser dada por um “prefeito” em um caso que está no Supremo Tribunal Federal. É realmente curioso pensar nessa relação entre “justiça” e esses modos, digamos assim... aham (pigarro)... “civilizados” a ser expresso por um prefeito.

A matéria não me foi suficiente para entender a questão de “demarcação contínua” (reservas restritas apenas aos índios) e “demarcação não-contínua” com reservas indígenas ilhadas e os brancos convivendo entre essas ilhas. Não me sinto habilitado a julgar entre um e outro. Mas vejo com olhar muito suspeito esses que defendem “convívio entre brancos e índios”. Pois minha pergunta é... Tá, convívio... mas quem iria dominar quem? Acho que os índios brasileiros devem ter o máximo de autonomia possível.


Foto de Rosa Gauditano

Há uma bela passagem sobre isso, nos arquivos da Folha Online, de uma entrevista de um dos maiores antropólogos do século XX, o francês (e que conhece bem o Brasil) Claude Lévi-Strauss:

FOLHA - Hoje, no Brasil, há um problema grave quanto à demarcação das terras indígenas. Há massacres de índios, como os ianomâmis. Há um conflito de interesses entre índios, militares, garimpeiros. Ao mesmo tempo, toda a sociedade brasileira está em estado de guerra civil. A polícia mata cidadãos a sangue-frio, em suas próprias casas. Como defender a questão dos índios nesse contexto? Por que eles devem ter status privilegiado em relação ao resto da sociedade?

LÉVI-STRAUSS: São problemas para os brasileiros. Dizer que demarcar as terras dos índios é lhes dar um direito excepcional me parece completamente contrário à realidade. Só há um meio de tentar remediar o enorme mal que lhes foi feito no momento da colonização, quando foram exterminados por meios diretos ou indiretos. É preciso lhes devolver uma parte, ainda que pequena, do que foi o território deles, isto é, a totalidade do continente. Se eu tivesse o poder, devolveria aos índios o máximo que pudesse. Mas, ao mesmo tempo, reconheço que, do ponto de vista brasileiro, há problemas. Trata-se de um grande país, que tende a se modernizar até o seu interior mais profundo. Não tenho também argumentos decisivos a propor.


Há quem diga que tais índios estão sendo dominados pelos EUA (com supostos interesses econômicos, pedras preciosas, etc.) e que, por eles estarem em região de fronteira, isso ameaça a soberania nacional. Tenho visto muito esse tipo de discurso na boca dos universitários, mas não sei até onde isso é verdade. Mas sem dúvida, eu sei que há cristãos estadunidenses catequizando os índios, trazendo-lhes pobreza (que só existe no mundo capitalista) e miséria, alcoolismo, vícios... depois culpam o demônio por isso e os convertem. A esse respeito, eu pude ouvir pessoalmente a antropóloga Betty Mindlin falar das igrejas encrustradas bem no meio das tribos alterando a cultura e a convivência desses povos profundamente em questão de poucas décadas (que ela mesma testemunhou - anos 70, 80 e 90 - e nos contou), com pastores convencendo os pajés a enterrarem seus cajados e que sua sabedoria é coisa do diabo. É uma realidade triste, de qualquer maneira, pois tudo isso apenas mostra que os índios vivem 500 anos de massacre, molestação cultural, genocídio... e claro, isso descaracteriza seus modos de viver, assimilando a nossa pobreza, e depois ainda sofrem preconceito por isso.

O próprio Lévi-Strauss acredita (de forma natural) no desaparecimento dessas culturas. O que seria uma tristeza, sem dúvida. Mas a questão central é: respeitar tais culturas enquanto elas existirem e tomarmos consciência delas enquanto patrimônio cultural agora e no futuro.

LÉVI-STRAUSS: (...) Quando todos os povos exóticos que a antropologia estuda tiverem desaparecido - não fisicamente, mas a partir do momento em que entrarem no curso da civilização mundial, forem assimilados -, teremos em relação a eles um ponto de vista equivalente ao que mantemos hoje com a civilização egípcia, os gregos ou os romanos. Trabalharemos sobre documentos. A massa de documentos antropológicos existente e ainda virgem é absolutamente fabulosa. Há material para vários séculos de estudo.


Vejo no modo de viver dos índios, uma grande vantagem em relação a nossa: eles vivem (ou viveram um dia, o verbo deve estar no passado, para a maioria deles, tanto os que foram extintos, como os que tiveram que se "embranquecer"...) em harmonia com a natureza. De fato, eu às vezes sinto que várias catástrofes climáticas que estamos vivendo hoje é fruto de nossa arrogância tecnológica, nós achamos chiquérrimo ficar apertando botõezinhos estúpidos. Em algumas ocasiões, Einstein declarou sua preocupação com o fato de que a ciência estava progredindo muito, enquanto o ser humano não progredia nada. "Somos capazes de quebrar um átomo. Mas não somos capazes de quebrar um preconceito.", dizia ele.

Já me disseram que Lévi-Strauss teria declarado sua crença no fato de que esse mundo começou sem a espécie humana e também deverá terminar sem ela.

LÉVI-STRAUSS(...): Se tivesse que tomar posições ecológicas, diria que o que me interessa são as plantas e os animais - e danem-se os homens. É óbvio que se trata de uma posição indefensável. Por isso, guardo-a para mim.





Recentemente essa Obra foi saqueada da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.................."Cabocle Indien Civilisé" Gravura Aquarelada 49,2cm x 59,4cm do pintor francês Jean Baptiste Debret, que esteve no Brasil entre 1816 e 1831.


Para quem quiser ler a entrevista da Folha com Lévi-Strauss, na íntegra eis o endereço:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u471632.shtml


E o endereço para algumas matérias sobre os indígenas:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u477188.shtml



E o endereço (esse narrando os aspectos mais interessantes dos índios) de uma entrevista com Betty Mindlin:

http://www.record.com.br/entrevista.asp?entrevista=42

Monday, December 08, 2008

Tagore para um amigo.

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Foto acima: O físico alemão Albert Einstein ao lado do poeta indiano Tagore, um foi prêmio Nobel de Física, o outro de Literatura.

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Meu caro amigo, Rafael, durante minha leitura do poeta indiano Rabindranath Tagore, essa passagem me levou nas asas desse pássaro até nossa memória.

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" Deixa esse rosário de salmos e cânticos e palavras! Quem cuidas tu que estás venerando nesse recôndito solitario e escuro de um templo de portas fechadas? Abre os olhos e vê que não está diante de ti o teu Deus!

Ele está lá onde está o lavrador lavrando a terra dura e onde está quebrando pedras aquele que abre os caminhos. Está com eles ao sol e à chuva, e suas vestes estão cheias de pó. Tira o teu manto religioso e desce tambem como ele para o chão poeirento!

Libertação! Onde encontrar essa libertação? Nosso mestre tomou a si mesmo, cheio de alegria, todos os encargos da criação; ele está ligado a todos nós para sempre.

Sái de tuas meditações e deixa de lado tuas flores e teu incenso! Que mal faz que se esfarrapem e manchem tuas vestes? Procura-o e fica com ele na lida e no suor da tua fronte. "


tradução de Guilherme de Almeida
(acentuação em Português mantida como no texto original)
5a edição, 1950, "o Gintaja'li".

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Foto: Tagore ao lado de Mahatma Gandhi, dois símbolos da Índia no século XX.
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"Qualquer pessoa que tenha aprendido na universidade da vida, não duvidará jamais da existência de Deus."

- Vincent Van Gogh -
(cartas a seu irmão Théo, a respeito de sua experiência diante da miséria como pastor pregador a pobres garimpeiros)



Imagem acima: "As Vinhas Enacarnadas" (Red Vineyards of Arles), o único quadro que Vincent Van Gogh conseguiu vender em vida, na dolorosa e desgraçada vida que ele teve.

Não sei se o seu caso que está aqui lendo meu blog... Mas quer fazer alguma coisa antes de morrer? Leia uma pequena biografia desse homem. Por favor, não morra sem fazer isso... E veja porque Pablo Picasso, a respeito dele comentou que o valor de seus quadros está muito mais em sua vida do que em sua técnica.

O quadro acima foi vendido por apenas 400 francos. Hoje, um quadro dele chega facilmente a dezenas de milhões de dólares. Ao contrário de Picasso, Vincent morreu miserável como artista.

Sunday, December 07, 2008

Dança Indiana - Odissi.

Ontem fui visitar o Rafael Coelho, lá na Vila Sônia. Eu gripado e ele também. Um dos meus melhores amigos. Morou comigo no CRUSP durante três anos. Tempo que ficou marcado pelo convívio Eu, ele, Márcio, Sinki, Tiagão e Alci.

O Sinki, aliás, para minha surpresa não estava sabendo da conjunção de Júpiter e Vênus com a Lua. O Sinki, com apenas 16 anos, já era tesoureiro de um Clube de Astrônomos em Curitiba, um dos caras que mais manja de Astronomia que já conheci. Além da Astronomia, o menino ainda curte Mitologia e se formou em Física.

O Tiagão é outro astrônomo. Se formou também em Física e agora faz mestrado em Astrofísica no Instituto de Astronomia e Geofísica da USP. Recentemente ele esteve num encontro de astrônomos na Índia. Caramba!!! Só agora estou reparando o quão rodeado de astrônomos eu estive ali no CRUSP... Os assuntos entre nós eram tão diversos que isso nem veio à tona. Recentemente o Tiagão me contou que nossos conversas muito o ajudou a refletir a respeito da natureza da Religião.

Ontem na casa do Rafael, fiz questão de mostrar para ele os planetas. Já eram 21h. Vênus já está relativamente adiantada, meio acima de Júpiter e a Lua já forma um quarto-crescente e estava próxima do Meio do Céu naquela hora.

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Fonte da Imagem:
http://indiandanceforms.blogspot.com/2007/08/o-d-i-s-s-i.html

Já na sexta-feira, fui com a Mariana e a Lilian numa apresentação de Dança Indiana. Puxa vida... É o tipo da experiência que nos faz agradecer a Deus por existirmos. Sim, sim... Com isso estou querendo dizer que o espetáculo foi LINDO e fiz questão de deixar bem claro à Lilian minha gratidão pelo convite, pela oportunidade de presenciar a beleza da dança de uma cultura de 5000 anos.

Existem sete estilos de dança indiana. A que nós assistimos chama-se Odissi. Selecionei um exemplo de 2 minutos de Odissi nesse video:

http://www.youtube.com/watch?v=jmKCGyn_irs

Cada estilo de dança está associado a diferenças regionais da Índia. Há, por exemplo, teorias de que, no passado, todas essas danças indianas foram antes uma só.

Esse outro video de 5 min, é magnífico:

http://www.youtube.com/watch?v=prQOdTmF8u0&NR=1

Muitas vezes essas danças contam uma história, muitas vezes de cunho religioso ou social.

Esse outro vídeo de 3 min no YouTube nos mostra o quão belo podem ser essas danças indianas quando dançadas coletivamente, entitulado Mahadeva:

http://www.youtube.com/watch?v=h6HClzdVo6A&feature=related

No sítio:

http://www.odissi.com.br

Lemos:

O que conhecemos por dança Odissi nos dias atuais são resquícios da dança realizada pela tradição Mahari, dançarinas dos templos e pela tradição Gotipua, meninos responsáveis pela representação da dança Odissi fora dos templos.



Fonte:
http://odissi-notes.blogspot.com/2008/05/stirring-odissi-gotipua.html

A história desses Gotipua é bastante interessante, porque eram meninos que decidiram dançar numa época em que a dança corria o riscos e, mesmo sendo meninos, decidiram pratica-la para manter a tradição.

Namastê!

Thursday, December 04, 2008

Albert Einstein

Hoje de manhã, eu estava de pé no 7598/10. Estava indo dar aula a um aluno de Administração do Mackenzie. A mão esquerda se segurava ao alto e, não por metonímia, garantia na medida do possível meu bem-estar ante as forças fictícias (ou inerciais) enquanto a outra lia a biografia de Einstein, escrita por Abraham Pais.

Chorei. Estava de pé no ônibus e chorei. Olhei pros lados. Ninguém pouco se importava com minhas lágrimas. Apenas tomei cuidado para não molhar a senhora sentada diante de mim. E voltei a ler tranquilamente.

Estou convencido de que Einstein é uma figura extraordinária do nosso tempo (tempo que a cada dia vai deixando de ser nosso, mas ainda digo "nosso"...).

Se o tempo retornasse. Se Deus (ou qualquer outro) me dissesse que eu precisasse entregar minha vida para que Einstein viesse à existência. Eu estaria pronto para o sacrifício: convicto e alegre do digno dever. E o faria com a mesma fidelidade da formiga pelo formigueiro.

Não, não é por simples idolatria ou nada disso. Mas está claro para mim a falta de sentido da humanidade, e daquilo a que chamamos de "humano", sem o trabalho de homens como ele ou Mahatma Gandhi. Aliás, dissera mesmo esse último: Quando um homem progride, toda a humanidade progride junto com ele.

Wednesday, December 03, 2008

Valsa número 6.

Na página 212 do livro, já no Segundo Ato, lemos:

Tu já morreste.
Teus olhos estão cegos dentro de mim.
Maldita!


Lindo, né?...

Esses dias li "Valsa número 6" de Nelson Rodrigues. De duas uma, ou eu não gostei tanto, ou ainda a estou assimilando. Provavelmente a segunda opção.

Pensando bem... Já decidi! Sim, a peça é maravilhosa. Difícil de se ler, mas maravilhosa. Só o fato de Sônia dizer que jamais aceitaria que o velho Dr. Junqueira lhe pagasse o bondinho: já é o suficiente para elevar a peça. Pois todo o restante da peça acompanha esse gesto, esse nível, em sutileza.

A peça é tão velada, quanto o próprio véu da ingenuidade da menina.

Há uma relação entre memória e alucinação (implícita) que lembra bastante "Vestido de Noiva". O trecho acima é fala de Sônia, personagem solitária da peça.


Oh, Paulo!


(incoerente)

Além disso, eu não acharia bonito homem casado!
Homem casado não é bonito.



Um Bonde Chamado Desejo


Ou... "A streetcar named Desire"... (ou "Un Tranvio llamado Deseo")

Sim, já assisti ao filme (preto e branco). Também assisti ao filme em que Pedro Almodóvar, genial, filma personagens que são atrizes dessa peça de Teatro.

Estou falando de Todo Sobre mi Madre (Tudo sobre Minha Mãe / All About My Mother).



fonte:

http://www.allmodovar.com.br/filmes/f13-madre.htm

E a "ajuda de estranhos"... (né?)

http://www.youtube.com/watch?v=xfErk52u1PM

Hoje conheci Luísa Mafei Valente. Era uma das candidatas à EAD. Eu acho que ela vai entrar. Foi a interpretação que mais gostei dos dois dias que assisti (parcialmente, cada), de longe. E ela foi a única (dos que vi) que fez réplica consigo mesma, interpretando "Um Bonde Chamado Desejo". Adorei o movimento nervoso e pausado dos seus dedos em seus gestos, o casamento de movimento do corpo com a voz, a quase saída de cena e a subseqüente "não-saída" e o grito de "Não!". Espetacular. E depois sai e o sinal toca junto com ela.

Tuesday, December 02, 2008

Der Mann ist ein Narr!

Essa foi a frase que Einstein disse quando soube a respeito de um professor que disse ter encontrado as soluções de suas equações da Relatividade Geral.

Não, não... Confesso que não sei de quais equações exatamente estava-se falando. Mas achei a história engraçadíssima.

Claro... em se tratando de Relatividade Geral, não deve ser fácil mesmo manipular tais soluções, sejam lá quais forem as equações. Distorções do espaço-tempo... essas coisas todas.

A frase, dita por ele em alemão, sua língua materna, significa "O cara é Louco!".

Ou mais literalmente: "o homem é um louco".

Posteriormente, o mesmo Einstein comentou acerca desse professor: "ele sabe fazer cálculos, mas não sabe pensar".

Frase tipicamente einsteiniana.

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Vestibular da EAD

Hoje eu assisti as encenações de alguns candidatos no Vestibular da EAD. Puxa vida, se só os candidatos à EAD já são tão bons... O que diremos do pessoal que sai de lá, não é mesmo?

Para quem não sabe... A EAD é a Escola de Arte Dramática da USP, curso técnico de preparação de atores, considerada uma das melhores do país, até onde eu saiba.

Adoro tomar café naquele Teatro. Só ali eu tomo café e vejo atores nervosos se aquecendo para um teste ali na tua frente. Em qualquer outra lanchonete, só os loucos falariam sozinhos na sua frente com figuras imaginárias, a respeito de um assunto que você nem imagina. Mas ali não... Ali é arte. Nesse caso: arte, tensão e adrenalina.

Parabéns aos candidatos. Parabéns aos atores da EAD alunos e formados.

"Der Mann ist ein Narr"

Depois eu preciso aprender a falar ator em alemão... E passar essa bendita frase pro plural. Como será que fica o artigo (Der)? hummmm...

Ich bin ein Narr!! :-o

Saturday, November 29, 2008

Lindíssimo Pôr do Sol - parte 2.

Ontem, sexta-feira, eu terminei meu jantar e saí andando pela USP, procurando um bom lugar para observar a conjunção Vênus - Júpiter. A Meteorologia já acenava com suas previsões: o céu estava repleto de nuvens em São Paulo.

No campus da Cidade Universitária, creio que a Praça do Relógio é um dos melhores lugares para se ver a conjunção.


Crédito da Imagem:
Autor: Kim Samejima Lopes
Fonte: http://olhares.aeiou.pt/praca_do_relogio___usp/foto73503.html
Descrição: Visão do Pôr do Sol da Praça do Relógio da USP. A foto não tem relação com o fenômeno astronômico aqui descrito, sendo apenas ilustrativa. Provavelmente foi tirada a partir da escadaria (eu imagino) do bloco C ou do bloco E do CRUSP, a moradia estudantil.


Fui então até a Praça do Relógio na esperança (descrente) de que o céu abrisse. Não havia o menor aceno dessa possibilidade. E minha vontade era gritar com as nuvens. Desisti. Fui tomar café num dos meus lugares favoritos, ali do lado: a cantina do Teatro. E na falta de uma Vênus no céu, eu ganho a visão de outra na Terra. Já eram cerca de 20h 50min quando tive o prazer de encontrar uma das figuras mais míticas da minha imaginação. Se as nuvens ocultavam as conjunções prometidas no céu, nada puderam fazer pelas conjunções da terra: tomei um dos melhores cafés da minha vida. Uma peça de Teatro iria começar às 21h, descolei meu ingresso "verde" e fui. Olhei para as nuvens do céu, olhei para a porta do Teatro. Um espetáculo estava aberto, o outro não. Lembrei que não tinha pago meu café ainda e fui para a cantina fazê-lo, mas havia uma nuvem de pessoas aglomeradas. "Karina, tô largando o dinheiro aqui no balcão e vou correr pra peça, tá?" - gritei.

Fui. Mas havia uma fila no corredor e tive que esperar um pouco nela. A fila anda e todo mundo entrando e tomando seus lugares. Lembrei da conjunção e morri de vontade de olhar para trás. Será que as nuvens ainda estavam lá? A organização apressava o público para entrar. E eu com a dúvida de uma mulher de Ló (Gênesis 19:17), mas virei e olhei. E ao invés de me fazer estátua de sal, as nuvens se abriram, como que uma fenda entre elas e os galhos das plantas. E Júpiter e Vênus, lado a lado, me fitavam pela primeira vez na vida. A conjunção estava alta e devia ter mais de um palmo acima do horizonte (que eu não podia ver, mas estimava), talvez uns dois... Vênus cintilava no mesmo ritmo do meu Pulmão emocinado, como um olho abrindo e fechando feito uma flor de luz: brilhava a ponto de ofuscar o próprio Júpiter.

Tive medo de perder a entrada do Teatro. De um lado da porta, havia lá fora no céu uma conjunção de Vênus e do outro lado de cá da porta, outra Vênus fazia conjunção dentro de mim. E tudo se sincronizava em meu sorriso, até eu conseguia ver o meu sorriso.

Friday, November 28, 2008

Lindíssimo Pôr do Sol!

Escrevo aqui para fazer uma previsão!! Só que previsão "astronômica"... Portanto, salvo as dificuldades com previsão meteorológica, a previsão é praticamente infalível. Minha previsão será a seguinte:

Esse fim de semana, teremos um Pôr do Sol lindíssimo!! Especialmente no domingo.

E na segunda-feira também!

O espetáculo no céu estará (literalmente) "estrelando" os seguintes astros: Lua, Júpiter e Vênus.

Será possível observar a relativamente rara conjunção de Júpiter e Vênus ao pôr do Sol e... ainda por cima, essa dupla de benéficos (Júpiter e Vênus) em conjunção com a Lua, bastando-nos olhar na direção Oeste.



Imagens puramente ilustrativas: a Lua descrita aqui será provavelmente menos fina.
Images' Credit:
http://www.space.com/nightsky/

Hoje e sábado já será possível observar a conjunção Júpiter-Vênus, a Oeste, ao pôr do Sol. E não se iludam!! Ver os planetas a olho nu é uma experiência BEM mais marcante do que vê-los nessas duas figuras.

Vênus, Júpiter e Lua são os três astros mais brilhantes e bonitos do céu noturno e estarão, nesse fim de semana, os três reunidos para a fartura de nossos olhos!

No sábado, a Lua estará se aproximando, da conjunção Júpiter-Vênus, mas estará ainda "abaixo" dos dois planetas a Oeste, no momento do pôr do Sol.

No domingo, a conjunção já estará mais evidente, com a Lua bem pertinho de Júpiter-Vênus, mas ainda não os ultrapassará. Finalmente, no pôr do Sol de segunda-feira a Lua aparecerá "acima" dos dois benéficos (isto é, Júpiter e Vênus).

Trata-se de uma conjunção que eu sempre sonhei em ver desde a minha adolescência e nunca vi. Ah... Dessa vez eu não perderei a oportunidade!

NOTA: Aqui em São Paulo, o pôr do Sol ocorrerá exatamente às 19h37min, horário de verão. Para Brasília, por exemplo, o horário deverá mudar poucos minutos, se mudar!

Aos que quiserem consultar as previsões da Meteorologia para vermos se teremos céu nublado. Podem consultar:

http://www.climatempo.com.br/

Aqui para São Paulo, está previsto tempo com nuvens para sábado e domingo... Aaaahhh.... Moxy! Vamos torcer para a meteorologia errar, né? Ou que as nuvens passeiem longe...

Para segunda, está previsto menos nuvens para São Paulo.

E ASTROLOGIA...?

A conjunção entre Júpiter e Vênus se dará no grau 22 de Capricórnio. Portanto, os nascidos nas seguintes datas:

Capricornianos de 10, 11, 12, 13 e 14 de janeiro.

Estarão especialmente estimulados por essa conjunção desse fim de semana, sendo um momento de muito entusiasmo e de intensidade nas experiências estéticas, de auto-afirmação, de percepções de si e do mundo. Obviamente isso também pode variar de mapa para mapa astrológico. Alguns irão se exceder em demasia e precisam tomar cuidado para não se soltarem demais. Outros irão aproveitar um trígono de Saturno que há no céu no momento e poderão buscar (os não excedidos) o enorme carisma que os favorece nesse momento para se promoverem com pais, chefes ou patrões. Ou ainda mulheres mais velhas.

Obviamente, a influência não estará disponível apenas aos capricornianos. Tudo é uma questão da particularidade do mapa de cada um. Para aqueles que buscam disseminar idéias excêntricas e diferentes, a conjunção pode ser bastante favorável. No âmbito mais social... Qualquer evento político tenderá a ser bastante estimulado pela conjunção, particularmente também pela participação popular. A percepção, a clareza e o senso de justiça acerca de questões financeiras ou diplomáticas estarão favorecidas nessa próxima semana em todo o mundo.

Outros signos especialmente estimulados serão:

Arianos de 10, 11, 12, 13 e 14 de abril.
Cancerianos desses mesmos dias de julho.
Librianos desses mesmos dias de outubro.

Os virginianos e os taurinos dessas datas (de setembro e de maio) ficarão bastante inspirados. Embora os virginianos dos dias 10 e 11 (eu diria o mesmo do dia 9, pela proximidade) estejam especialmente envolvidos com transformações (ou mesmo reviravoltas) importantes em suas vidas nesse ano de 2008 e, particularmente nos últimos meses: precisaram enfrentar desafios desgastantes diante das novidades que "pulularam" em suas vidas em 2008. Mas... Creio que a conjunção desse fim de semana irá permitir um "vislumbre" de otimismo.

Na verdade, alguns nascidos no primeiro semestre de 1979, também vêm enfrentando desafios de reorganizar seus princípios e seus planos no mundo material, real e concreto. Mas eu também não posso ficar aqui descrevendo abstratamente todos os casos.

Tuesday, November 25, 2008

Discutindo a Relação (em Abstrato!)



Há uma palavra da Língua Portuguesa que me assombra. Quando a procuramos no dicionário, sentimos que o pobre pai dos burros simplesmente não deu conta. E de certa forma, prefiro a letra de Renato Russo, quando canta:


Quem inventou o Amor, explica por favor...


O dicionário, em uma de suas acepções, chega a quase identificar amor e sexo. Noutra acepção fala de "afeto", palavra que vale lembrar vem de "afetar" e diz respeito, por isso mesmo, àquele que é "afetado", remetendo-nos à idéia de "passividade" (o afetado sofre a ação), o que acabará por nos levar à palavra "paixão" e à "passional".

Ah, finalmente caímos na grande questão da confusão que há entre amor e paixão. Praticamente nós não sabemos amar sem a paixão. Para verificar isso, basta descrever o amor sem a paixão a uma moça. E depois observar seu comportamento. Sim, já fiz isso várias vezes e os comportamentos geralmente são esses: pânico; necessidade revoltada de contestação (se a moça tiver o espírito habituado à liberdade ou for intelectualmente mais agitada); negação absoluta do que ouviu; olhar distante, perdido e desiludido...(essas são as mais doces!) e a reação mais extrema de todas: abandona você sozinho à mesa e vai embora.

Eis a grande raiz do problema: alguma coisa ensinou às pessoas que o amor é algo extraordinário, abissal, a fonte da Felicidade, a realização da vida, o fantástico... Enfim, chega até a lista me cansa de escrever. Pára! Acho que a paixão é uma das formas de amar. Certamente não é mais madura. Embora seja uma das mais belas e mais comoventes, sendo também a mais desumana: tanto no sentido da idealização, como no sentido do escapismo do mundo dos homens e fuga da vida e da realidade, como também no sentido de que pode levar a conseqüências concretamente desumanas (assassinato, suicídios, etc.) Na Astrologia, Netuno é um planeta que descreve bem o fenômeno. Trata-se de um sentimento insuportável e que nunca caberá no ser humano.

A postagem que fiz aqui (se não me engano, em 2005), entitulada "Morre-se Amor", para mim constituiu interessante estudo. Ajudou-me (dentre outros...) a sendimentar a sensação que eu já tinha de que o postulado do Senso Comum de que "se não for bom, não é amor" é o mais infantil dos equivocos. Primeiro porque esta concepção é o retrato traçado do Bem contra o Mal. Bem aquela coisa do He-Man contra o Esqueleto. E claro... O Amor está no time do He-Man. Daí a dificuldade de tais pessoas em entenderem como o Amor pode provocar a Guerra, ou ainda: como que a mãe mais amorosa do mundo pode simplesmente estragar seus filhos.

Na verdade, a própria imagem do He-Man é a própria imagem ideológica da guerra: nós somos os gostosos, maravilhosos, democratas e eslarecidos e eles são os fanáticos (nós não!), os atrasados, os de religião estranha e ignorantes terroristas alucinados. Precisamos destrui-los (sim, estou considerando que somos quintal dos EUA)

E existem duas coisas que andam juntas: essa visão dicotômica do mundo em bem - mal (ou ainda amor - mal) e o vício de nos colocarmos num pólo e o resto do mundo no outro pólo (sim, aquela coisa bem geocêntrica do Sol girando em torno da Terra). Quem nunca viu aquela cena da menina que terminou com o namorado? "Aquele cretino, aquele cachorro..." sempre o ex irá transportar toda a coleção de pecados do mundo. E nesse momento a função das amigas é vital: ouvir todas as lástimas da moça, apoiando-a incondicionalmente (afinal, são amigas, oras!) e ajudando-a xingar e a livrar-se de toda a sombra do relacionamento. É ele é que é o maldito, o cretino e que nunca me amou de verdade. Claro! Se não deu certo é porque ele não me amou. Afinal, é lógico: quem ama nunca comete erros! Nunca falha! E infelizmente eu vejo que é muito comum uma garota não tomar a coragem de olhar para si mesma num momento como esse. Especialmente aquelas que estão muito acostumadas a terem sempre uma visão positiva de si próprias.



Erich Fromm é muito feliz quando escreve (em seu livro "Arte de Amar") que nenhum empreendimento humano é tão flagrantemente fracassado, sem que as pessoas tomem qualquer atitude madura e honesta para verdadeiramente aprender a lidar com tais fracassos, mas, ao invés disso, tendem a repeti-los (muitas vezes a vida toda), sem senso crítico nenhum.

O Amor é uma das palavras mais repetidas de nosso quotidiano. O que provavelmente é um sintoma de seu completo esvaziamento de sentido e banalização. Talvez só a palavra "coisa" e o verbo "negoçar" em nosso idioma experimenta esvaziamento de significado comparável. Ouço as pessoas dizerem e falarem em "amor" e fico com aquela sensação de xícara de chantily sem café nenhum dentro. Cada um pensa o que quer, cita a palavra amor e quem a ouvir, ouve também o que quiser. E tudo está lindo! E andando muito bem, obrigado! Pois as idealizações recíprocas ainda não sofreram as provações que verdadeiramente testam e que exigem duramente os ajustes finos que palavras vagas não podem mais satisfazer.

Creio também ter sido muito bem observado por Robert Johnson a questão de que alguns idiomas são mais detalhistas na descrição dos sentimentos humanos do que o nosso. O Português possui "Amor", o alemão possui "Lieb", o inglês "Love". Mas outras línguas possuem mais palavras. O Grego Clássico, possuiria quatro... O Sânscrito, segundo ele, possuiria 92 palavras para descrever o vocábulo "Love".

Nesse sentido, da agravamento da pobreza da Língua e do Vocabulário, Jean Lauand, em seu texto sobre a Acídia, cita uma passagem do filósofo espanhol Julían Marías:

Há uma coisa que me preocupa, e já o disse muitas vezes. Que, enquanto o vocabulário de uma área particular, de um campo profissional técnico, de um ambiente específico, na agricultura, por exemplo, ou na pecuária — enquanto esses vocabulários específicos possuem uma riqueza enorme, tudo o que um homem pode sentir por outra pessoa resume-se — em todas as línguas que conheço — a meia dúzia de palavras. Algumas positivas, como "amizade", "amor", "ternura", "simpatia", "carinho", e outras tantas negativas. Parece-me muito restrito. Eu tenho quatro filhos, já adultos, e os amo de quatro maneiras diferentes. Há uma variedade imensa do amor, e a língua não reflete essa variedade. É uma limitação esquisita. Talvez devida a uma certa desatenção pelos sentimentos, pelos conteúdos anímicos, em contraste com a refinada atenção dedicada às técnicas da agricultura, da medicina... E às mil maneiras de dar um chute numa bola! E isso porque há um interesse especial. Muitas pessoas gostam de futebol e precisam distinguir os diferentes matizes dessa atividade. E, em contraste, o que uma pessoa sente por outra — e é algo mais difícil, sem dúvida — não desperta tanto interesse. Eu fico muito perplexo com este fato.



Nelson Rodrigues definitivamente me escandaliza, mas apenas adianto que tenho aprendido muito com ele ultimamente. Com ele e com os óculos de uma personagem tão querida, que aliás, nem é pesonagem dele. Mas comentarei isso outro dia.

abraços fraternos!

Thursday, November 20, 2008

108 obsessões

Lá estava eu saindo de mais uma aula de Cultura Sânscrita. E mais uma vez a conversar com a professora a respeito de impressões e dúvidas já trazidas de casa. Os assuntos são tantos que fica difícil se concentrar em um. Astrologia Hindu, o número Pi na Índia, a ciência no Oriente, o trabalho de Roberto Andrade Martins como sanscritista e como historiador da ciência, enfim.

Certa vez perguntei a ela a respeito dos números mais significativos na Índia. O número 7 ela me apontou como óbvio (por exemplo, os 7 chakras). Mas um dos números que ela me apontou era para mim completamente novo: o número 108. Fiquei abismado... 108... Me parecia um número qualquer, nem sequer número primo o maldito era e também não seria um número da seqüência de Fibunacci:

1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144,...etc.

(sim... eu verifiquei agora...rs... A princípio eu o havia negado de memória mesmo)

Para quem não sabe a Seqüência Fibunacci é obtida a partir da soma de dois termos anteriores. Parece bobo, mas não é. Mas não comentarei agora. Remeto o leitor a minhas postagens sobre o Número de Ouro, talvez eu tenha comentado algo por lá.

"Oh...oh.. vai com calma, aí..." disse meu colega Edgar. Sim, eu sei Edgar, longe de mim querer menosprezar uma das culturas "mais milenares" e mais cativantes de nosso planeta. Mas que raios... que que os indianos viram no mísero 108?

Não, não procurei consultar nenhuma fonte. Nem mesmo o Google. Ando muito a pé. Tenho tempo pra pensar. Mas a resposta, como de praxe, me veio "deitada", na cama, durante o sono, melhor: naquele estado de semi-vigília, semi-durmindo. Poxa, e a resposta era tão fácil. Tava na cara! Fácil a ponto de eu não esquece-la depois de acordado.

Vamos por partes...

Antes de irmos ao 108, permita-me uma rápida digressão a números menores. O número 2, sem dúvida, nos remete ao Yin e Yang chinês, masculino - feminino, claro - escuro, Céu - Terra do Gêneses capítulo 1 da Bíblia, etc.

O número 3 corresponde ao número mínimo de lados para se traçar uma figura geométrica plana: os triângulos, figuras importantíssimas na Tradição Matemática, tanto mística quanto científica, desde Pitágoras, passando pelo Método de Exaustão de Arquimedes e os átomos de Platão que tanto horrorizaram Wener Heisenberg.

O número 3 é encontrado na Santíssima Trindade. Na Astrologia, é encontrado nos trígonos, que correspondem a triângulos (três ângulos). Os doze signos zodiacais estão organizados em 4 triplas de signos de mesmo elemento: fogo, terra, ar e água. Por exemplo: Áries, Leão e Sagitário formam o triângulo de fogo. Touro, Virgem e Capricórnio, o triângulo de terra, etc. Todos triângulos equiláteros. E são triângulos de harmonia.

Na Astrologia Harmônica, considera-se Nona Harmônica (H9) como o mapa harmônico da Grande Felicidade e da Harmonia Suprema. Mas por quê o número 9? Por que ele é formado da soma de três três, isto é:

3 + 3 + 3 = 9

Daqui também decorre a importância do número 27:

9 + 9 + 9 = 27

Além disso, 2 + 7 = 9. Aliás, para o número 108, temos:

1 + 0 + 8 = 9.

E também podemos fatorar o número 108:

108 = 4 x 27 ou seja
108 = 4 x 3 x 9

Temos então, a quadruplicidade da triplicidade do 9. Ou se preferirmos:

108 = 12 x 9

O número 12 é encontrado nos números de Apóstolos de Cristo. Nos doze signos zodiacais e era considerado pelos judeus o número básico para se iniciar qualquer coisa. Para os pitagóricos os números 3 e 4, eram os números do espírito e da matéria. Todos reunidos no número 108. Para Carl Jung, o 12, enquanto múltiplo do quatro, seria a imagem do "mandala" ou da Plenitude.

Todos esses números também estão presentes no tradicional cordão que os brâmanes ortodoxos utilizam envolvendo o peito, mencionado pela professora nas últimas aulas.

Parece-me que as atrizes e dançarinas indianas também utilizam o 108 em seus ornamentos.

Mandala, aliás, é palavra sânscrita... E eis aqui minha coleção de devaneios com imagens ocidentais na tentativa de elucidar um número indiano.

Namastê!

Thursday, October 23, 2008

A Morte de Eloá!

Nossa, ontem de madrugada eu estava assistindo a Globo News (Notícias da Globo, se não fôssemos colônia estadunidense...). Fiquei emocionadíssimo quando vi as imagens divulgadas da mais emocionada ainda... Como ela se chama mesmo... Nayara, sim, Nayara! Nem sei o que pensar dessa menina. Muito corajosa e devia mesmo gostar muito da amiga para decidir voltar ao cativeiro e se expor a um revólver novamente, na tentativa de negociar.

As imagens mostravam uma Nayara cansada, sorridente, muito feliz e abatida. De aparelho novo nos dentes (o impacto da bala, no tiro que tomou, havia arrebentado o aparelho velho). Essa daí vai ter história pra contar pros netos. Teve muita sorte por não morrer. Achei muito engraçado ela ter contado à polícia que, quando teve medo, se escondeu debaixo dos cobertores e lençóis, provavelmente na intenção de escapar dos disparos de revólver.

Mas deixando um pouco a Nayara e falando da já falecida Eloá. Tive a curiosidade de dar uma rapidíssima olhadela em alguns mapas astrológicos chaves, por exemplo: o mapa do momento em que o rapaz seqüestra Eloá e seus amigos no dia 15 de outubro e o mapa da morte de Eloá, bem como o mapa do provável momento em que ela recebeu um tiro na cabeça e outro na virília.

Como olhei todos os mapas muito rapidamente, não foi fácil encontrar "vínculos especiais" entre os planetas. Mas o mapa que eu achei o mais bonito de todos. Foi o mapa da morte de Eloá, isto é, o mapa do horário em que os médicos estabeleceram a morte cerebral da vítima. Em primeiro lugar, eu acho muito curioso essa definição técnica da nossa Medicina para o conceito de "morte". Como também achei interessante, certa vez quando vi a entrevista de um Médico, com mestrado em Filosofia, em que ele explicava que, uma boa medicina deve considerar o ser humano não apenas em sua "dimensão biológica", mas também em sua dimensão psicológica e social. Isto certamente torna a questão da definição de "morte" algo muito mais complexo, pois o que entederíamos como "morte social"?

De qualquer forma, o horóscopo levantado (isto é, o mapa astral) para o horário que a mídia divulgou como sendo o estabelecido pelos médicos como a morte cerebral de Eloá, revela uma Lua poderosíssima. O que significa uma morte dedicada ao passado e à realização de algum arquétipo feminino profundo, além de uma ressonância íntima com as forças da Natureza e da arcaica deusa Mãe Terra. Vamos tentar usar uma metáfora. Digamos que a Terra respira a cada vez que um de nós morre. Muito bem. Sabe quando a gente dá aquela respirada mais profunda e se ajeita na cadeira ou precisamos de um fôlego repentino e puxamos com mais vontade o ar? Pois é... É essa a sensação que eu tenho quando vejo a Lua no mapa da morte de Eloá. Parece que alguma coisa no universo respirou mais forte e que vários deuses vieram buscar Eloá naquele momento. Para aqueles que preferem falar no Deus único, seria mais difícil eu me expressar, mas eu ainda poderia falar em vários anjos! Um mapa astrológico não possui religião, e podemos nos expressar na que quisermos. Podemos inclusive lembrar que estamos falando da científica e técnica definição de morte cérebral da Medicina e do curioso mapa astrológico gerado.

Friday, October 17, 2008

Diana - a deusa caçadora.

Que conversa maravilhosa você me proporcionou!

Eu, como bom mercúrio, andarilho pelo Instituto de Física. Nunca vi o cabelo dela tão bonito. Sentadinha, estudando, aproveitando o frescor da garoa daquele inicio de noite. Parecia uma apostila de Quântica, ou então de Cálculo Numérico, não importa. O clima era inevitável para uma das melhores conversas que já tive nessa universidade.

Já não me lembro mais exatamente como o assunto foi chegar nas Mitologias e nas cartas de Tarot de Marselha e Tarot Mitológico. Mas seus cabelos ruivos ajudaram muito. E a tatuagem da constelação de Órion nas costas, referência indireta à deusa Diana. Deusa virgem e caçadora, senhora das florestas, dos animais, dos lobos e arqueira.

Na versão favorita de minha interlocutora (e o que motivou sua tatuagem), Diana seria enamorada de Órion e os dois seriam muito apaixonados. Certa vez, Órion estaria nadando, muito distante. Apolo, irmão de Diana, enquanto estavam ambos na praia, a desafiou a atingir o distante ponto que se movimentava na água. Somente quando o mar trouxe o corpo de Órion morto, Diana havia percebido que matara o seu próprio amor. Talvez como uma espécie de compensação, ela solicitou que Órion fosse imortalizado na constelação que hoje leva o seu nome.

Quantas vezes uma mulher não perde o seu amor, por imprundência, por não enxerga-lo e mata-lo cegamente como "atividade de deleite e de lazer"? Algum homem leitor já se sentiu nesse papel de enamorado de Diana? Eu já... Morto. Mortíssimo. Quem sabe um dia o mar não me levará até ela? Assim, como Joana mandou entregar o defunto de seus filhos a Jasão...

Mas ela me explicou claramente: Órion, apesar da outra versão do mito, que diz ter sido ele perseguido pelo grande Escorpião, é, em verdade, uma constelação situada na região oposta da esfera celeste àquela outra ond está a constelação de Escorpião no zodíaco; pois Órion estaria, de fato, próximo à constelação de Touro. Próximo de Órion estaria a constelação do "cão menor".

Para ela, a constelação de Touro se levanta antes no céu; e somente após se levantaria a constelação de Escorpião, perseguindo Órion, destinado a mata-lo.

De fato, de acordo com aquela segunda versão do mito, Órion, o caçador, teria espiado a virginíssima Diana tomando seu banho. Irada e inconformada com a violação de sua castidade, Diana teria de alguma forma evocado o gigantesco Escorpião das profundezas da terra para persegui-lo e mata-lo.

É interessante notar que, em ambas as versões, é uma faceta inconsciente de Diana que mata Órion.

Diana estaria então, e fiz questão de dizer isso a ela, me ensinando uma estratégia para guardar a posição das constelações no céu: através de seus mitos. Sempre tive dificuldades com as constelações. Diana provavelmente não!

As chamadas popularmente de "três marias" fazem parte da Constelação de Órion.



Fonte da Imagem:

http://www.observatorio.ufmg.br/dicas05.htm

Saturday, August 16, 2008

Carta Natal de Lígia: em alta atividade.

Introdução

O mapa natal de Lígia está em grande momento de estímulos a diversos pontos e planetas de seu horóscopo. Nesse momento, pouquíssimos de nós está vivendo um momento tão astrologicamente ativo. Em outras palavras, Lígia, se você está agora com a sensação de viver um momento importante em sua vida, veremos que o mapa também reflete isso agora e, especialmente, para o mês de setembro, mas antes farei considerações sobre o mapa natal em si, isto é, sem focar no momento presente.

O mapa Natal.

Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção nesse mapa é a posição de Netuno no Meio-do-Céu, isto é, na décima casa. O mapa astrológico de Walt Disney que circula entre os autores possui posição similar. A astróloga Liz Greene também nasceu com Netuno nessa colocação e também a cidade de Brasília. Três exemplos bastante distintos. Mas o que eles possuem em comum? A vocação para a fantasia e o misticismo. Outra possibilidade de ver a profissão de nossa cliente, em função da posição de Netuno é lembrar que este planeta está associado ao mar, alguns astrólogos gostam também de indicar até mesmo o petróleo.

Pode-se interpretar esse Netuno como regente do ascendente, o que o torna ainda mais importante e tende a “levantar” a vida da nativa, isto é, é uma posição de ascensão social e profissional. Lígia (nome fictício da cliente) poderia estar como que destinada a subir na vida além do que se poderia esperar diante de sua origem social ou subir além de seus pais.


Essa interpretação de seu horóscopo tem um sabor especialmente temperado devido à oposição Sol – Netuno, que estabelece uma tensão entre profissão e família. Pode-se dizer que a trajetória de desenvolvimento pessoal de Lígia provavelmente tem sido a história de sua luta por “se separar”, por se distinguir e por se afirmar perante sua família, em particular se um dos progenitores (mais provavelmente a mãe) tiver sido muito controlador, mas felizmente parece que Ligia dispõe de bastante habilidade e flexibilidade (mercúrio) ou para lidar com as diversas situações eventualmente complicadas do ambiente familiar.

A posição do Sol na casa 4 traz também o tema da busca do próprio lar como afirmação de sua própria identidade. E dessa vez, a oposição Sol – Netuno nos leva à dificuldade de definição da carreira e o quanto isso pode trazer dificuldades de também se definir o lar. A questão do passado e também as raízes de Ligia provavelmente sempre lhe serão um referencial importante em sua vida e sobre o qual ela deverá construir sua personalidade, mas é sempre bom ter em mente a questão da autenticidade, de se ter claro quem é seu verdadeiro eu e diferenciar-se da família e de seus valores de origem. A consciência e a luz sobre essas questões é um bom caminho: é preciso que Ligia tenha clareza de suas origens e de seus valores culturais, que os investigue e que os compreenda. Questões estas, aliás, que já começaram a serem escavadas pela oposição de Plutão a seu mercúrio natal. Não faz muito tempo que Ligia precisou enfrentar um longo período (de pelo menos uns 5 anos) tendo de mergulhar em si própria, sendo obrigada a desenterrar e a reavaliar seus próprios valores que hoje certamente são muito diferentes de cerca de 7 anos atrás. Pois, se nesse período Ligia enfrentou uma dolorosa e longa experiência de desilusões e de reformulação de seus valores mais caros e profundos (valores que antes talvez ela nem imaginaria que abandonaria, por exemplo), agora com a ativação de Mercúrio por Plutão se iniciará (e já está se iniciando agora) um período de formulação intelectual e mental de todas essas questões. Aliás, o próprio fato de que Ligia lerá (mercúrio) esse meu relato em meu blog já é, por si só, um evento que se insere exatamente nesse contexto. Essa nova fase de investigação intelectual de suas origens e valores durará outros tantos anos, tipicamente cerca de 5 anos novamente.

A presente questão do Lar.


Nesse ano, a questão do lar ou da moradia de Ligia ficou especialmente em evidência durante o mês de fevereiro, devido ao trânsito de Júpiter, trazendo um desejo de liberdade diante de questões que se tornaram mais difíceis de aceitar, sem o desejo de melhorias do próprio lar e também da vida emocional que o lar proporciona. Agora, no mês de Agosto haverá uma revisão dessas questões. No início de setembro e, especialmente, após a primeira semana de setembro e ao longo desse mês, esses eventos estarão especialmente em ênfase: ou a vida emocional se tornará mais exigente, no que diz respeito às melhorias ou até mesmo quanto aos sentimentos de justiça ou também (e provavelmente tudo junto) com relação ao lar e à moradia, temas estes que estão sendo atualmente ativados por Júpiter, através de sua Lua. Se em janeiro Júpiter estimulava as atividades mentais de minha cliente, agora ele traz a ela anseios emocionais e de melhorias com relação ao ambiente doméstico.

Há outros pontos de trânsito também ativando a esfera e o ambiente do trabalho, eventos importantes também podem acontecer aqui. Vale a pena ficar atenta ao contato com as mulheres ou até mesmo com o dinheiro, que podem surgir de forma palpável e física na vida de minha cliente agora. A mente está também hoje com um poder analítico especial e com um talento para a precisão e análise.

O mês de setembro

Por último, devo alertar minha cliente que etapas decisivas em sua vida estão efetivamente começando. Algumas questões profundas de seu destino que estiveram em debate ou em amadurecimento ao longo de toda a sua vida gerarão frutos a partir de agora. A sensação de uma espécie de “destino” irá se manifestar de forma concreta e palpável, facilmente reconhecível, materializando vários eventos e rumos de sua vida, devido a importantíssimos pontos do mapa astral que Saturno está prestes a atingir. Valerá muito a pena que minha cliente fique atenta ao curso de todos esses eventos que, embora ainda não estejam no auge, certamente já se manifestam bem. Pessoas importantes ligadas ao seu destino a longo prazo poderão aparecer agora, ou até mesmo desaparecer. O mês de setembro será particularmente chave devido à simultaneidade de pontos energéticos ativados na carta natal, representando efetivamente um grande palco do tempo. Não é impossível que chegue mesmo a ocorrer verdadeiros milagres: típicos eventos que serão “coincidências demais”, gerando as tais sensações do destino.

A Revolução Solar de 2008


A Revolução Solar também incide sobre o tema do Lar, com o Sol posicionado no IC (o fundo-do-céu), enquanto que a revolução solar do ano anterior (2007) incidia em assuntos de trabalho. Para o ano de 2008, as questões de grupos, trabalhos coletivos e amigos também estarão em ênfase. Até o próximo aniversário, Lígia estará com bastante energia disponível para realizar projetos na área do trabalho (deve-se lembrar que o período técnico de uma revolução solar é de um aniversário até o aniversário seguinte). Como Urano, no mapa de revolução, ativa Sol, Vênus e Lua e se posiciona na casa 1, então as mudanças de lar, mudanças na vida em geral, nas roupas, na aparência pessoal, no ambiente doméstico, na relação com a mãe, com as mulheres em geral, na vida romântica ou afetiva, todas elas estarão aptas a mudanças repentinas ou estarão todas cotidianamente "eletrizadas" (estimuladas), o que também pode se manifestar como impaciência ou o anseio pelo novo em todas essas áreas, pelo anseio da livre auto-expressão em todos esses setores. Os relacionamentos de papéis tradicionais não serão favorecidos, no sentido de que toda essa "eletrização" poderá trazer facilmente situações inesperadas ou a sensação de opressão perante a mesmice.


Até o próximo aniversário, poderá não ser fácil harmonizar interesses de grupos, coletivos ou de amigos com o ambiente doméstico ou do lar. Pode não ser uma boa dividir quartos com amigos, como forma de moradia nesse período, ou negociar/compartilhar com amigos ou grupos a compra de imóveis (namorado ou esposo não está incluso nesse raciocínio). O desejo de ascensão social também pode ser forte nesse período e questões de disputas ou atritos ligados ao poder podem também surgir no ambiente profissional. Seria melhor conquistar dinheiro ou espaço profissional através da labuta ou da disciplina, já que também há favorecimentos de Marte e de Saturno aqui.
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Você também quer ver o seu mapa astrológico comentado nesse blog?
Mande-me um email!!

henriqueromeo2@yahoo.com.br

Friday, July 25, 2008

Sonhando Cruzado


Será que as pessoas apaixonadas tendem a ficar atentas a seus sonhos?

Pode ser. É que sou leitor do blog de uma atriz. É muito provável que haja planetas de casa 12. A casa 12 é a dos sonhos e dos contornos indefinidos, das imagens que desaparecem por falta de contornos, inclusive os próprios sonhos, que muitas vezes vão se dissolvendo na memória, como luzes fracas diluindo-se em penumbras.

Desde recentemente sonhei algumas vezes com a atriz. No sonho de ontem ela estava linda e dócil e com a voz doce e, sem saber, dizia-me palavras que me funcionavam como puxões de orelhas. "Você gostou de sua peça hoje?", perguntei (a atriz está em cartaz). Silêncio. Sem responder, ela vira o rosto, com os cabelos docemente sobre os ombros (e o vestido? é branco! muito leve...) e toca o nariz e os lábios, ligeiramente recurvados para dentro, na parede. O gesto é ambíguo. É, num só tempo, um beijo contido (ou pelo menos o gesto de um) e uma forma simbólica de fechar a boca, como quem dizendo "não quero falar", melhor: sem dizer mesmo. O movimento seguinte foram os lábios, abandonados aos próprios contornos que, agora relaxados, libertos pela própria doce elasticidade de lábios, se chocam com a leveza de um hálito contra a parede. Gesto muito suave, se considerado fisicamente, mas que era mais uma vez ambíguo. Sinalizava, por um lado, o gesto do beijo na parede (agora descontido e completo) e, por outro, a descarga de tensão: "tá bom, eu respondo". De fato, no momento seguinte, ela finalmente se volta novamente para mim: "Não, a pessoa que deveria falar comigo. Ela não falou".

Sem dúvida, a ambiguidade entre beijar e calar, explorada pela construção onírica (a sempre sábia e genial construção onírica!) refere-se à frase de seu blog "cala-me com teu beijo", dirigida a seu namorado, ou futuro namorado, sei lá.

Antes dela aparecer nesse sonho, eu estava na companhia de duas outras garotas. Garotas comuns, sem nada de interessante, daquelas que a gente paquera quando não tem mais o que fazer e quer distrair o tédio. Tão comuns que, a atriz, ao chegar, nem toma conhecimento de suas presenças, como se fossem efetivamente desprezíveis. Assim que acordei, depois que ela respondeu minha pergunta, pensei mesmo na sugestão de poligamia da cena: três mulheres, ainda que duas apagadas. O sonho pareceria então estar trabalhando os valores femininos em mim.

Também depois que acordei, fiquei me indagando, por qual razão ela jamais dissera de seus sonhos em seu blog. A coincidência: quando abro seu blog, lá está: ela relatando um sonho dela (!). "Como ela sabia?", perguntei. No sonho ela relatava uma espécie de prisão num programa de TV, com um senhor polígamo, com muitos filhos e querendo-a por terceira esposa.

Tanto no sonho dela como no meu, surgem três mulheres. O número três é, provavelmente, um símbolo de masculinidade, nesses dois sonhos curiosamente a imagem do três se dá, paradoxalmente, a partir de indivíduos femininos. Somente se considerássemos o homem, poderíamos fechar o vértice de um quadrado (quatro elementos).

No meu sonho não há crianças, mas no sonho dela sim. As crianças parecem simbolizar a fertilidade, possivelmente a fertilidade de projetos em sua vida. O fato do sonho te-la angustiado não significa que sejam coisas ruins, significa apenas que se trata de coisas novas surgindo e que ela conscientemente acha difícil admitir. Talvez haja algo de agressivo, embora fértil, nessa paixão da atriz ou em algum de seus novos projetos ou nova etapa em sua vida.

Há também imagens da Cultura que nos remetem à trindade diante uma figura central, por exemplo: os três porquinhos perseguidos pelo Lobo Mau ou os Três Reis Magos que vão presentear Jesus.

Tuesday, June 10, 2008

Antunes Filho e Nelson Rodrigues.

Nesse fim de semana fui conferir a montagem que Antunes Filho fez de "Senhoras dos Afogados". Gostei muito do coro, mas achei que a peça sofreu com certa simplificação. Claro, preciso de muita humildade para dizer isso, já que Antunes Filho é um monstro sagrado do teatro brasileiro e eu sou apenas um curioso recente, enquanto a experiência dele com teatro deve ser umas duas vezes superior à minha própria idade.

Mas acho que tenho o direito de dizer que havia na peça coisas que não me agradaram. Várias falas do texto original do Nelson que eu gostaria de ver encenadas foram cortadas. Por exemplo, a maravilhosa fala do coro "Agora vamos tirar os rostos e colocar as máscaras". Fico a me indagar se a extensão de certos diálogos de carga emotiva e psicológica entre Dona Eduarda e Misael fossem matindas, a carga trágica da peça não teria sido preservada mais fidelizada. A conseqüência de tais cortes foi um demasiado aumento do ritmo da peça, alívio de sua carga trágica e ênfase no cômico ou no "dramalhão" como o próprio Antunes dissera à Imprensa. Esse cômico e esse dramalhão não me agradaram.

Talvez eu deva me render ao que me dissera o assistente de direção de Antunes, durante o debate com o público, após a peça: que o ser humano não é simplório, mas ambígüo e que isso justificaria a postura característica de Antunes de trabalhar a ambigüidade das peças que monta e das personagens da mesma. Além do que, dissera ainda o assistente, o texto do Nelson, ele próprio, também se caracterizaria por tais ambigüidades. Nelson é irônico nas tensões de seus personagens. Aqui devo assumir minha ignorância explicitamente: acho que não havia ainda prestado a devida atenção aos textos a esse aspecto. Espero poder fazer isso melhorando gradualmente daqui para frente.

Houve também rupturas relativas ao texto original que achei desnecessárias: havia velocidade onde as rubricas de Nelson pediam o oposto, como em "Moema desce lentamente" quando esta irá chamar sua mãe de prostituta e, infelizmente, um dos momentos potencialmente mais altos e tensos da peça, que pedia lentidão e suspensão, foi assim banalizada, o diálogo se passou na mesma velocidade com que balconistas atendem clientes em padarias cotidianamente. Também não estava prevista no texto de Nelson que Misael risse ao ver o defunto do apunhalado. A cena não deveria existir e o ato deveria encerrar com as lágrimas da amante e não com aquela cena que simplesmente tivera um dos efeitos mais cômicos da peça, de uma forma absolutamente desnecessária.

Portanto, aqui eu não posso aceitar o argumento do assistente de Antunes de que o cômico da peça era intrínseco ao texto de Nelson. Não. Pareceu-me que o cômico fora mesmo cativado e favorecido pelo andamento da peça. Obviamente eu não tenho um milésimo da experiência de teatro desses senhores, mas escrevo mesmo na esperança de que possa mais tarde aprender com meus erros, pois espero francamente que esteja pecando em meu juízo relativo à peça e prefiro isso do que fingir compactuar com a simples autoridade do nome de Antunes.

Surpreendeu-me o comentário do Assistente de que Antunes teve medo de não saber montar a peça e que ele passara muitos anos montando as tragédias gregas (Medéia, Antígone, etc.) a fim de poder aperfeiçoar e estudar os coros de tais peças. De fato, os vizinhos na peça de Nelson são realmente como os coros das peças gregas. Achei interessante a musicalidade e a voz maravilhosa que Antunes trouxe para as prostitutas. Adorei as prostituas e suas vozes e cantos sensuais, como eu somente havia visto na personagem oriental do filme Pulp Fiction de Quentin Tarantino. Voz maravilhosa, doce e irritantemente sensual. Um exagero, tal como se espera das boas prostituas, afinal... As prostitutas, assim como as noivas, símbolos vitais do imaginário rodrigueano e maravilhosamente encarnadas em Antunes. E os cabelos? Como pode o velho Antunes saber como eu sempre fantasiei os cabelos das mulheres? Chumassos de nuvens desfiadas, caóticas e volumosos até dizer chega. Como ele conseguiu fazer aqueles cabelos naquelas atrizes (de tão belos corpos)? Teria sido erótico, se não fosse lindo e absolutamente estético antes de mais nada.

A beleza com que o coro dos vizinhos (formado por homens) também cantou, embora não demoradamente, por si só, também já valeria a peça. Vozes unidas, como uma voz perfeitamente única e de uma sonoridade tão mágica aos ouvidos como eu jamais havia visto. Como ele conseguiu aquilo?

Acho que também não preciso comentar a técnica dos atores, obviamente surpreendente.

Thursday, June 05, 2008

descobrindo Nelson Rodrigues...


Corta bruscamente o desespero. Ergue-se e grita para a filha:

- Deus fez tua vontade! Traí meu marido!

A filha imóvel. A mãe num grito ainda maior:

- Desce e vem chamar tua mãe de prostituta!

Silêncio. A filha desce, lentamente. Mãe e filha, face a face.
A Filha:

- Prostituta!

A filha passa adiante. A mãe cai de joelhos; chora sobre o corpo do amante.

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O mapa astrológico da figura acima, pertence ao autor dessas linhas, para uma peça de Teatro, célebre de sua carreira, um dos maiores gênios da dramaturgia brasileira, pertence a Nelson Rodrigues, nascido no Recife, a 23 de agosto de 1912. O horário de nascimento é desconhecido.

Chama a atenção a quadratura de Saturno à conjunção Sol-Mercúrio, ao qual nos faz lembrar o gosto que Nelson tinha por um teatro sério e trágico. Os defuntos também estão sempre presentes nas peças.

Já mal me lembro quando fiquei curioso pela obra de Nelson. O primeiro contato veio atavés da TV Globo no quadro "A Vida como ela é...". Bom quadro. Lembro de que gostava. É provável que depois os professores da Faculdade de Letras da USP tenham me influenciado, penso no Prof. Ariovaldo nesse caso. Depois que comprei o livro de contos, "A Vida como ela é...". Devorei-o. O Márcio, que morava comigo no CRUSP, naquele ano, compartilhou comigo algumas leituras.

Mas quando li, agora nesse mês, o texto da peça "Toda Nudez será Castigada" veio a paixão definitiva. Agora estou terminando de ler "Senhora dos Afogados". Gênio! O homem é verdadeiramente um gênio, uma sensibilidade, uma ponta afiada, daquelas que se apóiam sobre quinas e balançam sem cair.


Fora de si:

- E por que não a castigas nas mãos? (num crescendo) As mãos são mais culpadas no amor... Pecam mais... Acariciam... O seio é passivo; a boca apenas se deixa beijar... O ventre apenas se abandona... Mas as mãos, não... São quentes e macias... E rápidas... E sensíveis... Correm o corpo...


Um bisturi da alma humana, tal qual Freud ou "o grande mestre da Psicanálise", como declarou Yudith Rosenbaun, em sua palestra Psicanálise e Lietartura , quando a ela perguntei sobre Nelson.

Sobre ele, Maína, uma amiga minha, definiu-o "Um louco que, em sua loucura, é capaz de apontar nossas loucuras próprias". Certo público contemporâneo de Nelson não tardou em rotulá-lo de neurótico. Como resposta, Nelson diria que "só um neurótico conhece a Deus" e que os jovens não deveriam se envergonhar de serem neuróticos.

Certa vez perguntaram a Nelson, sobre a sua polêmica afirmação de que "as mulheres gostam de apanhar":

- E as mulheres? Elas realmente gostam de apanhar?

Ao que Nelson respondeu:

- Só as normais. As neuróticas reagem...

Resposta enigmática, nova pergunta. Incisiva:

- E o senhor bate em sua esposa?

Pergunta provocativa. Nelson respondeu de pronto:

- Ora, mas eu nunca disse que os homens gostam de bater!

Monday, May 19, 2008

Meu bisavô "paraibano".


Minha família materna é carioca e de Saquarema.

Meu avô Romeo, é descendente de italianos. De fato, na língua italiana, aquele "o", no fim, tem som de "u", como se fosse "Romeu" mesmo, assim como "Paola" se lê, em italiano, Paula.

Minha avó materna, da família Sant´Anna é filha de pai índio e de mãe espanhola. Desde garoto, quando pela primeira vez minha vó disse-me ser filha de índio, aquilo me maravilhava. Me enchia de orgulho. Lembro-me da minha tia Marta que fez um quadro com uma índia linda e imagens de cachoeiras. Não sei se esse quadro está preservado em algum lugar lá de casa, em Brasília. Emocinaria-me descobrir que sim. Na verdade, acho que foi minha vó e minha tia quem fizeram aquele quadro juntos. Sempre gostei de índios. Adorava saber que eles estavam em algum cantinho nas "origens" (o gero em Latim, que dá origem ao verbo "gerar" em Português, e aos substantivos genes e genético) da família, isto é a gens latina...

Gens una Sumus (dizia-se, em Latim: "Somos uma família")

Depois, mais crescidinho, fui tomando consciência de que havia várias diferentes tribos e grupos indígenas no Brasil, das mais diferentes línguas. A imagem do meu bisavô ia se perdendo no meio de tanta variedade. "Céus... Quantas tribos não deveriam ter existido nesse Brasil?"

Estima-se que havia por aqui, cerca de 11 ou 12 milhões de indígenas, vivendo principalmente na costa das praias futuro-brasileiras (além, por exemplo, da amazônia). Hoje esse número de índios caiu, nesses cinco séculos de história, para apenas cerca de 400 mil, ou seja, menos de meio milhão. Como diria o professor Pasta, isso tem um nome: genocídio. Assim: puro e simples. (lá está: genos... o verbo gero novamente...)

Na década de 70, alguns especialistas chegaram a duvidar de que no ano 2000 ainda haveriam índios existentes. Mérito ou não do governo brasileiro ou dos movimentos sociais pela causa indígena o número de índios que, até então, apenas caía, experimentou uma ligeira subida.

O debate, no entanto, não é simples. Há grupos indígenas que optaram (ou puderam...) por manterem-se isolados: mantendo totalmente sua cultura e língua. Porém, ainda hoje existem cristãos sem nenhum preparo antropológico ou científico, que se aproximam dessas aldeias com intuito de "salvar suas pobres almas", isto é, catequisa-los: destruir-lhes o pouco de cultura ainda deles existentes. Outras tribos, já, não apenas perderam totalmente suas origens, cultura e idiomas, como na verdade, vivem hoje na periferia, por exemplo, de São Paulo, em condições precárias e de pobreza.

Quando os karaybas (palavra tupi para europeu, homem branco) chegaram naquelas terras que mais tarde teria o nome de uma valiosa mercadoria: Brasil, encontraram na costa, na praia, índios tupiniquins, grupo indígena numeroso e bastante espalhado: desde o Espírito Santo até a Bahia, falantes da língua Tupi, a primeira língua escutada pelo pessoal de Pedro Álvares Cabral e Pero Vaz de Caminha, ao desembarcarem na Bahia.

Os índios potiguaras eram também índios tupis, falantes do Tupi. Localizam-se há séculos no literal paraibano. São dos índios potiguaras que se conservam raríssimas cartas escritas do punho dos próprios índios, em língua Tupi. Os índios potiguaras fizeram amizade com os holandeses quando estes estiveram no nordeste do Brasil, desembarcando aqui no ano de 1625, num lugar chamado Baía da Traição, e levando índios para a Holanda. Expulsos pelos portugueses, os holandeses retornaram em 1630, fazendo alianças com vários índios potiguaras. Um dos índios potiguaras que esteve na Holanda, Pedro Poti, quando retornou ao Brasil, em 1630, foi capturado pelos portugueses e foi cruelmente assassinado. Em 1654, os holandeses foram definitivamente expulsos. As guerras entre holandeses e portugueses foram, na verdade, guerras mistas dos diferentes grupos indígenas, além da rivalidade Holanda -Portugal. Quem se lembra das aulas de História, depois sabe: a Holanda, mais tarde, acabaria, no final das contas, conseguindo retirar os verdaderos lucros do Ciclo do Açúcar no Brasil.

Além dos tupiniquins e dos potiguaras, havia também os tupinambás ocupando territórios da atual Bahia, Maranhão e Rio de Janeiro. Há muitos detalhes de confrontos entre os Tupinambás e os portugueses, alianças com franceses, etc. Mas irei omiti-los todos. Há também muitos e muitos outros grupos indígenas, falantes ou não do Tupi. O Tupi foi, sem dúvida, a língua mais falada no Brasil, antes e depois daquilo que chamamos de "descobrimento". Foi a língua mais falada até 1750, quando foi proibida pelo Marquês de Pombal, que via nisso, uma ameaça à Língua Portuguesa. Hoje resta-nos nomes de lugares como Curitiba, Taubaté, etc. etc. etc. e nomes como Pipoca, mingau, Jacaré, soco, peteca, piranha, capoeira e muitos e muitos outros que, ao invés de desaparecer, não puderam deixar de se mesclarem à Língua Portuguesa brasileira. A maioria dessas palavras não existem em Portugal e nem nos países africanos de língua portuguesa: Angola, Bissau, Moçambique, etc.

Voltando a falar dos índios potiguaras, em número muito menor, eles ainda continuam na Paraíba (outro nome de lugar, que é Tupi), mas devido ao intenso contato, ao longo de tantos séculos, com a cultura européia, perderam o Tupi, que acabou morrendo como língua entre eles. Usam celulares, carros e possuem outros hábitos já urbanos...

Semana passada, falei com minha avó ao telefone. Depois de ter estudado o assunto, achei que com as informações que ela me passasse, eu seria finalmente capaz de identificar, por minha própria conta, a origem indígena de seu pai, meu bisavô.

- Vó, a senhora se lembra de que tribo era o seu pai?
- Aaaahh... Meu pai era índio, mas era urbanizado e era oficial da marinha.
- Sim, eu lembro que a senhora me disse. Mas me diga, qual língua indígena ele falava? De onde ele era?
- Fala o Tupi-guarani. E era índio da Paraíba (isto é, falava o Tupi, única possibilidade para aquela região no tronco linguístico do Tupi-Guarani). Inclusive a aldeia dele existe até hoje.
- Vó... Será que ele era um índio Potiguara?
- Não sei, querido. Minha irmã Walquíria é que saberia dizer melhor, ela inclusive visitou a tal aldeia quando lá esteve para fazer algumas pesquisas.

Com esses dados então, podemos concluir que meu bisavô foi, muito provavelmente, um índio Potiguara: a tribo ainda existe na Paraíba e era falante do Tupi. Não há hipóteses alternativas a respeito.